Blockchain & Tokenização
- Robson Teles Ramos
- 8 de set.
- 3 min de leitura
A tecnologia blockchain e a tokenização de ativos estão revolucionando o setor imobiliário, prometendo eliminar burocracias, reduzir custos e democratizar o acesso ao mercado. Em agosto de 2025, o Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci) publicou uma norma que regulamenta a tokenização no Brasil, criando figuras como o Token Imobiliário Digital (TID) e as Plataformas Imobiliárias para Transações Digitais (PITDs). Este marco legal é um passo crucial para consolidar uma tendência que pode transformar radicalmente como compramos, vendemos e investimos em imóveis.
🔥 O que é Blockchain e Tokenização?
Blockchain
Registro descentralizado e imutável: Funciona como um "livro-razão digital" que registra transações de forma segura, transparente e à prova de fraudes.
Eliminação de intermediários: Substitui a necessidade de cartórios, bancos e outros agentes tradicionais em transações imobiliárias.
Contratos inteligentes (smart contracts): Códigos autoexecutáveis que automatizam processos como transferência de propriedade e pagamentos.
Tokenização
Conversão de ativos em tokens digitais: Um imóvel é fracionado em partes digitais (tokens), cada uma representando uma fração do valor total do bem.
Exemplo: Um imóvel de R$ 1 milhão pode ser dividido em 1.000 tokens de R$ 1.000 cada, permitindo que pequenos investidores adquiram participações.
Tokens fungíveis ou NFTs: Podem representar propriedade total (NFT) ou frações fungíveis (como ações).
⚙️ Como Funciona na Prática
1. Processo de Tokenização
Seleção do imóvel: Escolha de um ativo com alto potencial de valorização.
Avaliação e estruturação legal: Definição do valor de mercado e conformidade com regulamentações.
Emissão de tokens: Criação de tokens em uma blockchain (ex.: Ethereum, Avalanche).
Oferta em plataformas digitais: Comercialização em mercados primários e secundários.
2. Transações com Smart Contracts
Pagamento automático: Ao comprar tokens, o valor é transferido via criptomoedas ou moeda fiduciária, e a propriedade digital é automaticamente registrada.
Exemplo: A plataforma Propy permite transações imobiliárias completas em blockchain, incluindo pagamentos e transferências de propriedade.
3. Regulamentação no Brasil
Resolução do Cofeci (2025): Estabelece diretrizes para PITDs e exige credenciamento para operar.
Segurança jurídica: Assegura que tokens representem direitos reais sobre imóveis, com auditorias periódicas e conformidade com a LGPD.
📈 Vantagens da Tokenização Imobiliária
✅ Para Investidores
Acessibilidade: Permite investir em imóveis de alto valor com pequenos capitais.
Liquidez: Tokens podem ser negociados em plataformas secundárias, contornando a iliquidez tradicional do setor.
Transparência: Blockchain registra todas as transações, reduzindo riscos de fraudes.
✅ Para Construtoras e Incorporadoras
Captação de recursos ágil: Venda de tokens para financiar projetos em estágios iniciais.
Redução de burocracia: Smart contracts automatizam processos como escrituração e repasse de rendimentos (ex.: aluguéis).
Mercado global: Atrai investidores estrangeiros sem barreiras bancárias complexas.
✅ Para o Mercado
Desburocratização: Redução de custos com cartórios, intermediários e documentação.
Inovação tecnológica: Posiciona o setor imobiliário na era digital, atraindo novos perfis de investidores.
🌐 Casos de Sucesso e Plataformas
Propy: Realizou a primeira transação imobiliária totalmente em blockchain em 2017.
RealT (EUA): Permite investir em imóveis residenciais fracionados com tokens.
T-Properties (Brasil): Foca em tokenização de imóveis de luxo, oferecendo frações de propriedade.
Roofstock: Plataforma que tokeniza imóveis para aluguel, com gestão automatizada de contratos.
⚠️ Desafios e Riscos
🔴 Barreiras Regulatórias
Conflito com registros cartoriais: No Brasil, a transferência de propriedade ainda exige escritura pública e registro em cartório.
Incerteza jurídica: Tokens podem não ser reconhecidos como "propriedade real" sem adaptações legais.
🔴 Riscos para Investidores
Volatilidade: Valor dos tokens pode variar com condições de mercado.
Liquidez inicial limitada: Mercado secundário ainda em desenvolvimento.
Falta de educação financeira: Muitos investidores desconhecem os riscos de ativos digitais.
🔴 Custos Tecnológicos
Implementação cara: Desenvolvimento de smart contracts e integração com blockchains exigem investimentos significativos.
A blockchain e a tokenização não são mais ficção científica – são realidades que chegaram para transformar o setor imobiliário. Como ressalta a consultoria Deloitte, esse mercado pode saltar de US$ 0,3 trilhões em 2024 para US$ 4 trilhões em 2035. No Brasil, a regulamentação recente do Cofeci é um passo crucial para segurança jurídica, mas ainda depende de adaptações legais mais profundas.
Para investidores, essa é uma oportunidade de diversificar portfolios com ativos imobiliários fracionados. Para empresas, é a chance de captar recursos de forma ágil e global. Como disse Natalia Karayaneva, CEO da Propy:
"A blockchain não substitui humanos, mas elimina ineficiências e fraudes, tornando o mercado mais transparente".
O futuro do setor imobiliário será descentralizado, digital e democratizado – e quem se adaptar primeiro colherá os frutos dessa revolução.

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